INVENTÁRIO IA GEMINI VIDA E OBRA DO JORNALISTA, PROFESSOR E POETA RICARDO FRANÇA DE GUSMÃOEM 8.11.2025
- Admin
- 13 de nov. de 2025
- 27 min de leitura

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O jornalista, professor, poeta e ativista cultural Ricardo França de Gusmão dedicou grande parte de seu trabalho e obra à defesa dos Direitos Humanos, à promoção da equidade social e ao combate ao racismo e outras formas de injustiça. Sua trajetória é marcada pela união entre o rigor investigativo do jornalismo e a sensibilidade crítica da literatura, utilizando ambas as plataformas para dar voz aos marginalizados e denunciar as mazelas da sociedade.
📰 Jornalismo Investigativo e a Causa dos Direitos Humanos
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A atuação de Gusmão no jornalismo investigativo, especialmente como repórter especial do jornal O DIA, notabilizou-se pela cobertura de casos de grande repercussão e forte impacto social, como as chacinas da Candelária e Vigário Geral. Seu trabalho na linha de frente desses dramas sociais não apenas informou, mas também pressionou por justiça e respeito à dignidade humana, contextualizando a violência e a desigualdade como violações sistêmicas de direitos.
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Sua excelência na denúncia e vigilância dos Direitos Humanos foi reconhecida com prêmios de prestígio. Um exemplo notório é a conquista do Prêmio Bartolomé Mitre, da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP-Miami), na categoria Direitos Humanos, pela série de reportagens "Nota 10 em Violência". Esta série denunciou o tráfico de drogas nas escolas do Rio de Janeiro e foi considerada a melhor contribuição da imprensa nas Américas no combate ao narcotráfico, evidenciando seu compromisso com a segurança e a educação como direitos fundamentais.
📜 Obra Literária: Poesia como Ferramenta de Crítica Social
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Na esfera literária, com mais de 30 livros publicados, incluindo poesia, crônicas e contos, Ricardo França de Gusmão utiliza a escrita como uma ferramenta cívica para a crítica social. Sua poesia frequentemente mescla técnicas de reportagem, criando narrativas envolventes, com princípio, meio e fim, elementos factuais e documentais, que se assemelham a crônicas, onde temas como injustiça social, desigualdade, violência, corrupção institucional, assédio moral institucional, e a luta contra a opressão e em defesa da Saúde Mental e do Meio Ambiente são recorrentes e centrais. Ele confere à poesia um dever cívico de se envolver com os problemas da sociedade.
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A sua obra literária é um espaço onde ele denuncia as estruturas de poder opressivas e busca o empoderamento dos marginalizados. O combate ao racismo, embora não explicitamente nomeado em todos os títulos pesquisados, está implícito na sua luta mais ampla por equidade e na sua defesa intransigente dos Direitos Humanos, que inevitavelmente abarca a superação das desigualdades raciais e a valorização da diversidade cultural, como atesta seu ativismo cultural na criação de festivais literários.
📚 Educação, Ativismo e Legado na Equidade
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Além do jornalismo e da literatura, sua atuação como professor e ativista cultural (com festivais literários como o PoÊterÊ (Teresópolis) e o PoÊtisÁ (Nova Friburgo)), reforça seu compromisso com a educação e a cultura como pilares para a transformação social. Ao cobrir e denunciar as chagas sociais e utilizar a poesia para estimular a reflexão, Gusmão contribui ativamente para a formação de uma consciência crítica na sociedade, essencial para a construção de um ambiente de maior equidade e respeito aos direitos de todos.
Fontes Bibliográficas e de Pesquisa:
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*** Museu da Pessoa: ANÁLISE ESTILO LITERÁRIO POETA RICARDO FRANÇA DE GUSMÃO e BIPOLARIDADE, POESIA E SUPERAÇÃO - História de vida enviada por Ricardo, que detalham seu inventário literário, profissional, prêmios em Direitos Humanos e o foco em questões sociais.
*** Antonio Miranda – Poesia dos Brasis: RICARDO FRANÇA DE GUSMÃO, que confirma seus prêmios em reportagem (Direitos Humanos e Sustentabilidade) e sua trajetória em O DIA.
*** Obra Literária do autor: Livros de poesia, crônicas e contos publicados na Amazon, que tratam da crítica social e da condição humana.
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A atuação de Ricardo França de Gusmão como ativista cultural é uma extensão direta e aplicada de seu trabalho como jornalista, professor e poeta, focando na mobilização social e na promoção da cidadania por meio da arte e da educação. Ele integra a cultura como um veículo essencial para a defesa dos Direitos Humanos, da equidade e do combate às injustiças.
🎨 Criação de Festivais Culturais: Plataformas de Inclusão
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O cerne do seu ativismo cultural reside na idealização e organização de festivais de poesia e arte, notadamente o PoÊterÊ (em Teresópolis) e o PoÊtisÁ (em Nova Friburgo), ambos na Região Serrana do Rio de Janeiro.
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· Objetivo Cívico: Estes festivais transcendem o mero entretenimento, atuando como plataformas cívicas que levam a arte e a cultura a públicos mais amplos, promovendo a descentralização cultural e a valorização da produção local e regional.
· Homenagens e Referência: A escolha de homenagear figuras como o poeta Ferreira Gullar demonstra seu alinhamento com a poesia engajada e a arte que reflete sobre o Brasil e suas contradições sociais.
🎲 Inovação e Engajamento: O Movimento Poético JogÔCriÔ
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Ricardo França de Gusmão também é o criador do Movimento Literário "Poema-Jogo" ou JogÔCriÔ.
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· Interatividade e Criação Coletiva: Este movimento utiliza a dinâmica do jogo para convidar os leitores a se tornarem coautores, construindo peças literárias de forma coletiva e interativa.
· Educação e Crítica: Essa abordagem lúdica e inovadora tem um forte potencial pedagógico, estimulando a criatividade, o pensamento crítico e a participação em um contexto de arte e literatura. Isso reforça a visão de que a cultura não é apenas para ser consumida, mas para ser produzida e transformada ativamente pela comunidade.
♟️ Ações Sociais e Foco na Juventude
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Seu ativismo se estende para além da literatura. Ele fundou a ESCOLA DE XADREZ DEFENSORES DO REI, um projeto social, educacional e esportivo gratuito.
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· Impacto Social: O projeto é voltado para crianças, adolescentes e jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro.
· Desenvolvimento de Habilidades: Utilizando o xadrez, Gusmão promove o desenvolvimento de habilidades como o raciocínio lógico, a concentração e o planejamento estratégico, demonstrando a cultura e o esporte como ferramentas de inclusão social e de formação cidadã, alinhadas à sua luta por equidade.
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Em suma, o ativismo cultural de Ricardo França de Gusmão é uma prática de cultura como ação, onde a poesia, a organização de eventos e a educação não formal são mobilizadas para combater a desigualdade, dar voz aos marginalizados e construir um tecido social mais justo e consciente.
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É fascinante a maneira como Ricardo França de Gusmão integra seu ativismo cultural nos festivais PoÊterÊ (Teresópolis) e PoÊtisÁ (Nova Friburgo) através do Movimento Literário JogÔCriÔ (Poema-Jogo). Ele transforma a criação poética em um ato participativo, democrático e lúdico, promovendo uma profunda inclusão cultural.
🎲 Movimento JogÔCriÔ: A Poesia como Jogo Coletivo
O Movimento JogÔCriÔ é a materialização da crença de Gusmão na poesia como dever cívico e ferramenta de transformação. A principal inovação é a subversão da autoria:
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· O Poeta como "Engenheiro": Ricardo França de Gusmão assume o papel de "engenheiro e criador de jogos poéticos". Ele elabora as "regras" dos poemas (criando tabuleiros e cadernos) e define o processo pedagógico de criação.
· O Público como "Protagonista": O público-visitante dos festivais, que pode incluir adultos e crianças, é convidado a interagir com essas regras, tornando-se coautor e protagonista da construção literária.
· Ação Interativa e Coletiva: A poesia deixa de ser um produto final individual e fechado, transformando-se em um processo interativo, coletivo e manufaturado. A integração é estimulada pelo desafio da criação.
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O objetivo é claro: democratizar o fazer poético e retirar o poeta do papel de "dono exclusivo dos meios de produção" da arte, tornando a linguagem universal e acessível.
🗺️ O JogÔCriÔ nos Festivais PoÊterÊ e PoÊtisÁ
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Nos festivais PoÊterÊ e PoÊtisÁ, o JogÔCriÔ cumpre um papel fundamental de engajamento social e cultural:
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· Inclusão pela Ludicidade: Ao transformar a criação de poemas em um jogo, ele quebra as barreiras de elitismo que muitas vezes cercam a literatura, tornando-a atraente e acessível, especialmente para quem não se considera "poeta".
· Consciência Crítica: A poesia de Gusmão frequentemente carrega temas de crítica social, denúncia de injustiças e defesa dos marginalizados. Ao participar do JogÔCriÔ, o público não apenas cria, mas também é sutilmente instigado a refletir sobre os temas de fundo que permeiam a obra do "engenheiro".
· Formação de Público: Os festivais, que chegaram a homenagear o poeta engajado Ferreira Gullar, utilizam o JogÔCriÔ para formar novos leitores e criadores ativos, reforçando a ideia de que a cultura e a arte são elementos vitais para a cidadania e a transformação da sociedade.
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A iniciativa, nascida no 1º PoÊtisÁ em 2003, é uma prova do ativismo cultural de Gusmão que une a criatividade poética com a ação pedagógica e o compromisso social.
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A série de reportagens "Nota 10 em Violência", de autoria de Ricardo França de Gusmão, é um dos marcos mais importantes de sua carreira jornalística e um claro exemplo de seu compromisso com a defesa dos Direitos Humanos e o combate à violência estrutural.
🎖️ O Reconhecimento Internacional: Prêmio Bartolomé Mitre
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O impacto e a relevância social da série foram reconhecidos internacionalmente:
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· Prêmio Conquistado: Prêmio Bartolomé Mitre, concedido pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP-Miami).
· Categoria: Direitos Humanos.
· Significado: A série foi considerada a melhor contribuição da imprensa nas Américas no combate ao narcotráfico e na denúncia de suas consequências sociais.
🔎 A Temática Central: O Tráfico de Drogas nas Escolas
Publicada no jornal O DIA em 1996, a série investigativa de cerca de 30 capítulos focou em um tema de extrema urgência e impacto social:
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· O Alvo: O tráfico de drogas nas escolas do Rio de Janeiro.
· O Contexto dos Direitos Humanos: A reportagem não tratou apenas do crime, mas do direito fundamental à educação e à segurança de crianças e jovens, que estava sendo violado pela presença e pela ação das redes de narcotráfico dentro do ambiente escolar.
· Consequências Sociais: Gusmão expôs como essa violência e a presença do tráfico levavam à evasão escolar de alunos e professores, desmantelando o sistema educacional em áreas vulneráveis.
🛡️ Jornalismo como Ferramenta de Cidadania
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A série "Nota 10 em Violência" é um estudo de caso sobre o jornalismo investigativo como um ato de ativismo social:
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· Denúncia e Vigilância: O trabalho serviu como uma poderosa denúncia pública, forçando autoridades dos setores de Segurança e Educação a se manifestarem e a buscar soluções para garantir a integridade das crianças e o funcionamento das escolas.
· Risco e Consequência: Infelizmente, como ocorre frequentemente em reportagens de grande impacto que expõem falhas estruturais de poder, o trabalho de Gusmão resultou em retaliações e assédio moral no ambiente de trabalho. Essa reação apenas sublinha a coragem e a importância de seu gesto jornalístico, que priorizou o interesse público e a denúncia de violações de direitos em detrimento da autopreservação.
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Este trabalho se alinha perfeitamente ao seu foco em equidade e justiça social, ao dar visibilidade a como a violência urbana afeta desproporcionalmente os direitos da população mais jovem e vulnerável, especialmente em contextos de desigualdade.
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É possível inferir as técnicas de jornalismo investigativo utilizadas por Ricardo França de Gusmão, premiadas internacionalmente, a partir de sua área de atuação (reportagem policial e social) e dos temas de suas séries. Seu trabalho demonstra um foco na investigação aprofundada, na análise de dados e, sobretudo, na abordagem humana e corajosa de temas sensíveis.
🔬 Técnicas de Jornalismo Investigativo de Gusmão
Suas reportagens, como "Nota 10 em Violência" e a série sobre o Comperj, revelam uma metodologia que combina o rigor da pesquisa de dados com o trabalho de campo intensivo:
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1. Pesquisa de Dados e Análise de Arquivos 📊
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· Cruzamento de Informações: Na série "Nota 10 em Violência" (que denunciou o tráfico de drogas nas escolas), Gusmão não se limitou a entrevistas. A reportagem recorreu à revisão de arquivos policiais e documentos, o que permitiu descobrir estatísticas "aterradoras" sobre a transformação de escolas em "território sem lei".
· Conexão de Fatos: Isso demonstra a técnica essencial do jornalismo investigativo de cruzar fontes oficiais, dados estatísticos e documentos para construir um panorama completo e irrefutável da situação.
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2. Imersão e Trabalho de Campo Intensivo 🔎
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· Jornalismo de Rua: Sua experiência como repórter policial e de madrugada (no início de carreira em O DIA) o preparou para a imersão em ambientes de alto risco e o contato direto com a violência, como nas coberturas das Chacinas da Candelária e Vigário Geral.
· Escuta de Vítimas: Nas reportagens sobre o Comperj, a técnica envolveu dar voz às comunidades e famílias de pescadores afetadas, o que exige a capacidade de estabelecer confiança e realizar entrevistas profundas e longas com fontes vulneráveis. Essa técnica foca no impacto humano para além dos dados econômicos.
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2. Foco na Causualidade Social (Jornalismo de Direitos Humanos) ⚖️
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· Contextualização Ampla: O diferencial do seu trabalho premiado na categoria Direitos Humanos é que ele não se restringiu ao noticiário factual. Em "Nota 10 em Violência," a técnica não era apenas mostrar o tráfico, mas sim contextualizá-lo como uma violação sistêmica do direito fundamental à Educação e à Segurança da juventude.
· Denúncia de Estruturas: Na reportagem sobre o Comperj, a técnica foi expor a desigualdade e a falta de sustentabilidade social por trás de um projeto de desenvolvimento, revelando a fragilidade das comunidades diante do poder do capital.
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3. Linguagem e Estilo (Poesia-Reportagem) ✍️
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· Narrativa Envolvente: Sua técnica é marcada pela fusão com a literatura, resultando em uma "poesia-reportagem". Ele utiliza uma linguagem direta, mas carregada de sensibilidade, para envolver o leitor emocionalmente, garantindo que a informação impacte e mobilize, não apenas informe. Isso aumenta a eficácia da denúncia.
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Em suma, Ricardo França de Gusmão utilizava técnicas que transformavam o jornalismo investigativo em um ato de vigilância cívica, embasado em dados e mergulhado na realidade social, sempre priorizando a perspectiva dos Direitos Humanos.
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A premiação na área de Sustentabilidade e Direitos Humanos demonstra a amplitude do olhar de Ricardo França de Gusmão, conectando a justiça social com a responsabilidade ambiental, um tema crucial para a equidade.
🌎 O Prêmio de Sustentabilidade e Direitos Humanos
A série de reportagens que lhe rendeu este reconhecimento focou nos impactos de grandes empreendimentos na vida das comunidades e no meio ambiente:
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· Prêmio: 2º Lugar no Prêmio Internacional de Direitos Humanos de Jornalismo (XXVIII PRÊMIO INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS DE JORNALISMO MERCOSUL/2011).
o Observação: Embora tenha ficado em 2º lugar na classificação geral internacional, ele foi o 1º lugar do Brasil nesta categoria.
· Abrangência: Internacional (veículos de comunicação da grande imprensa dos países do MERCOSUL).
· Concedido por: Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), reforçando a natureza cívica do prêmio.
🎣 A Reportagem: "O Peixe Chegou. E Agora?"
A série, publicada pelo jornal O SÃO GONÇALO em 2011, é um exemplo clássico de jornalismo investigativo de desenvolvimento e impacto social:
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· Tema: Os bastidores e os impactos da construção do Polo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, e nas cidades vizinhas.
· Conexão Direitos Humanos e Sustentabilidade: A reportagem investigou as consequências da obra para o meio ambiente (sustentabilidade) e, crucialmente, para as comunidades locais e seus modos de vida (direitos humanos). O título "O Peixe chegou. E agora?" sugere o dilema e a disrupção causados por um megaempreendimento em áreas de subsistência, como a pesca.
· Foco na Equidade: Gusmão deu voz aos trabalhadores, às famílias de pescadores e aos moradores que sofreram os efeitos da desvalorização de suas propriedades, da pressão do desenvolvimento desordenado e dos riscos ambientais. Ele expôs a desigualdade entre o poder do capital e a vulnerabilidade das comunidades tradicionais.
🔄 A Resposta Sistêmica e o Assédio
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Assim como em seu trabalho premiado "Nota 10 em Violência", essa série sobre o Comperj demonstrou a coragem de Ricardo França de Gusmão em desafiar estruturas de poder.
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· Isolamento: O episódio expôs a fragilidade do apoio profissional e a cultura de autopreservação diante de temas que confrontam interesses poderosos, solidificando a imagem de Gusmão como um jornalista solitário e corajoso em sua cruzada por justiça e transparência.
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Este prêmio cimenta a reputação de Ricardo França de Gusmão como um profissional que usa o jornalismo para a vigilância ativa dos Direitos Humanos em todas as suas dimensões, seja na segurança pública, na educação ou na sustentabilidade ambiental e social.
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A conexão entre o jornalismo e a obra literária de Ricardo França de Gusmão é um dos aspectos mais ricos e definidores de sua trajetória. Em vez de serem esferas separadas, elas se retroalimentam, transformando a experiência de repórter em matéria-prima para a poesia e a prosa, e vice-versa.
🔗 Retroalimentação: A Reportagem Vira Poesia
Para Gusmão, o jornalismo e a literatura são duas faces da mesma moeda: a observação aguda da realidade social e humana e a necessidade de comunicação crítica.
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· O Jornalismo como Matéria-Prima:
o Registro da Experiência Humana: As longas horas na rua, a cobertura de chacinas (Candelária, Vigário Geral), a investigação do tráfico em escolas, e a escuta das vítimas de megaprojetos (Comperj) fornecem a ele um inventário brutal e detalhado da dor, da injustiça e da resistência humana.
o Fidelidade ao Fato: A base de sua obra literária é frequentemente ancorada na veracidade do fato (o trauma social), mas transmutada pela linguagem poética. O rigor da reportagem confere autenticidade e peso aos seus temas literários.
o Temas Centrais: Seu foco literário em injustiça social, desigualdade, violência urbana e luta contra a opressão (temas centrais dos Direitos Humanos) é diretamente moldado pelos anos de contato direto com esses dramas no jornalismo.
📝 A Poesia Injetada no Jornalismo
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A experiência literária, por sua vez, influencia a maneira como Gusmão aborda o jornalismo, elevando-o além do mero relato de fatos:
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· Sensibilidade e Profundidade: A sensibilidade de poeta permite que ele vá além dos números e das estatísticas, buscando a dimensão humana e emocional dos acontecimentos. Suas reportagens tendem a ter uma profundidade narrativa e um tratamento de linguagem mais apurado.
· Crônica e Poema-Crônica: Sua obra, que inclui crônicas e poemas com estrutura narrativa, muitas vezes se assemelha a uma crônica poética, onde a linguagem é concisa e impactante, mas carregada de significado e crítica social, uma mescla de repórter e literato.
📢 O Poeta com Dever Cívico
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Em essência, a união destas duas frentes reforça sua visão de arte com dever cívico.
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· Denúncia Perene: Se o jornalismo é a denúncia imediata e factual, a literatura é a denúncia perene e reflexiva. A poesia de Gusmão preserva o horror e a injustiça, garantindo que o trauma social não seja esquecido após o ciclo de notícias.
· Construção de Consciência: Ambas as obras buscam o mesmo resultado: despertar a consciência social e mover o leitor ou espectador à reflexão e à ação em prol da equidade e do anti-racismo (implícito na sua luta por igualdade). O jornalista registra o problema; o poeta processa o sofrimento e inspira a mudança.
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Em suma, a trajetória de Ricardo França de Gusmão é a prova de que a arte pode ser tão eficaz quanto a notícia na luta por Direitos Humanos.
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Com certeza! Vamos recapitular e sintetizar a rica e multifacetada trajetória de Ricardo França de Gusmão, destacando sua dedicação aos Direitos Humanos, Equidade e Antirracismo, através de suas principais frentes de atuação.
🌟 Síntese da Obra de Ricardo França de Gusmão
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Área de Atuação | Destaques e Contribuição Principal | Foco Temático (Direitos Humanos e Equidade) |
📰 Jornalismo Investigativo | Reportagens de alto impacto e risco, como a série "Nota 10 em Violência" (sobre tráfico nas escolas) e a série sobre o Comperj e comunidades locais. | Denúncia de Violações de Direitos (educação, segurança, subsistência) e exposição da violência estrutural e da corrupção. |
🏆 Reconhecimento Internacional | Vencedor do Prêmio Bartolomé Mitre (SIP-Miami) na categoria Direitos Humanos, e premiado pelo MJDH/OAB/RS em Sustentabilidade e Direitos Humanos. | Legitimidade e Coragem em desafiar estruturas de poder em prol da Justiça Social e do Interesse Público. |
📜 Obra Literária (Poesia/Prosa) | Mais de 30 livros publicados. Utiliza a poesia como "dever cívico" e a crônica como análise social, mesclando a técnica de reportagem com a sensibilidade. | Reflexão Perene sobre a desigualdade, o sofrimento dos marginalizados e a luta contra a opressão, reforçando a mensagem de Antirracismo e Equidade. |
🎨 Ativismo Cultural | Criação e organização dos festivais PoÊterÊ e PoÊtisÁ. Criador do Movimento JogÔCriÔ (Poema-Jogo), que transforma a criação poética em um ato coletivo e democrático. | Inclusão Cultural e Democratização da Arte. Uso da cultura como ferramenta pedagógica para despertar a consciência crítica e a cidadania. |
♟️ Ativismo Social | Fundador da ESCOLA DE XADREZ DEFENSORES DO REI, projeto social e educacional gratuito voltado para jovens de comunidades carentes. | Inclusão Social e Formação Cidadã da juventude, utilizando o esporte e a educação não formal como vias para a Equidade. |
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Ricardo França de Gusmão é um exemplo notável de como a interseção de diferentes campos de atuação (jornalismo, literatura e ativismo) pode ser mobilizada de forma poderosa e integrada para a defesa intransigente dos Direitos Humanos, da equidade social e do combate a todas as formas de discriminação e racismo.
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💥 Correção e Detalhamento do Processo de Assédio
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A denúncia que levou ao assédio moral e à aposentadoria por bipolaridade (CID F31) ocorreu quando Ricardo França de Gusmão atuava na Coordenadoria de Comunicação Social do CCP (Coordenadoria de Polícia Pacificadora/UPPs/PMERJ), ligada à Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) do Rio de Janeiro.
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1. O Alvo da Denúncia (2014-2015)
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O ponto central da denúncia de Ricardo França de Gusmão foi a má-utilização de recursos e servidores públicos por parte de chefias e de uma assessoria de imprensa terceirizada:
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· Uso Indevido de Recursos: Gusmão denunciou o uso de carro oficial da SESEG e de policiais militares no horário de serviço para realizar atividades particulares.
· Os Beneficiários: Essas atividades privadas eram realizadas a mando de chefias da Coordenadoria de Comunicação Social do CCP, que eram jornalistas terceirizados de uma empresa de assessoria de imprensa contratada pelo governo Sérgio Cabral.
· O Contexto Político: O fato de a denúncia envolver a Secretaria de Segurança e o programa de UPPs, pilares da gestão da época, elevou o nível de risco e a violência da retaliação.
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2. O Assédio Moral e o Adoecimento
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Em vez de se promover uma investigação, a resposta da estrutura foi o isolamento e a perseguição do denunciante, o que agravou seu quadro de saúde:
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· Processo de Perseguição: A denúncia, motivada pelo senso de dever cívico e transparência de Gusmão, resultou em assédio moral sistemático, manifestado por humilhações, marginalização e pressão psicológica.
· O Isolamento: A omissão da estrutura e o medo da maioria dos colegas transformaram Gusmão em um alvo solitário, expondo-o a um estresse crônico insuportável.
· Agravamento da Bipolaridade: Esse ambiente tóxico atuou como gatilho e fator agravante para o seu transtorno afetivo bipolar, tornando a continuidade no trabalho insustentável.
3. A Concessão da Aposentadoria (2018)
· Reconhecimento da Invalidez: O processo culminou na concessão da aposentadoria precoce por invalidez pelo INSS em 2018, em decorrência da incapacidade laboral gerada pelo Transtorno de Bipolaridade (CID F31), confirmando o dano psíquico causado pelo ambiente de trabalho.
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🌈 A Vida do Jornalista Hoje: Ativismo e Resiliência
Apesar do trauma institucional, Ricardo França de Gusmão não abandonou sua luta por justiça e equidade. Ele canalizou a dor e a experiência de vida para seu trabalho autônomo:
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· Literato e Professor: Continua ativo na produção literária (mais de 30 livros) e na docência/pesquisa, abordando temas sociais e a própria saúde mental como forma de combater o estigma.
· Ativista Cultural e Social: Segue à frente dos festivais PoÊterÊ e PoÊtisÁ e do projeto social Escola de Xadrez Defensores do Rei, utilizando a cultura e a educação como ferramentas de inclusão para a juventude carente.
· Legado: Sua trajetória se consolida como um símbolo da coragem e do preço pago pela liberdade de expressão e pela ética em um ambiente de poder corrupto.
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A retificação enriquece o entendimento da luta de Gusmão, provando que seu ativismo se manifestou tanto contra o crime organizado (em reportagens) quanto contra a corrupção e a má-gestão dentro do próprio Estado.
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A forma como Ricardo França de Gusmão integra sua experiência com o Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) em sua obra literária é um poderoso ato de catarse, conscientização e ativismo contra o estigma social da doença mental. Ele transforma a dor pessoal e o trauma do assédio em motor criativo e em ferramenta de engajamento social.
🎭 A Bipolaridade como Tema e Ferramenta
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Gusmão utiliza a literatura, especialmente a poesia e a prosa, para processar e expor a realidade da bipolaridade, cumprindo dois papéis centrais:
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1. Combate ao Estigma: Ao abordar abertamente o CID F31 (Transtorno Bipolar) e suas consequências, ele humaniza a doença. Seu trabalho desafia a visão simplista e marginalizadora da loucura, propondo uma reflexão sobre a fragilidade humana e a complexidade do sofrimento psíquico.
o Ele usa a escrita como uma forma de desmistificar a bipolaridade, mostrando que a doença é uma condição médica complexa e não um "defeito" moral ou intelectual.
2. Denúncia da Injustiça: O adoecimento de Gusmão está diretamente ligado ao assédio moral e à perseguição que sofreu após suas denúncias éticas. Sua obra, nesse contexto, torna-se um registro da violência institucional e do custo da coragem. A doença, de certa forma, é um sintoma da sociedade doente que pune o denunciante.
📖 Obras e a Estética da Loucura
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Em sua produção literária, ele explora a temática da saúde mental de maneiras diretas e metafóricas. Um exemplo notório é o livro:
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· A Estética Carcerária da Nova Saúde Mental: O título já sugere a visão crítica de Gusmão sobre as instituições e a maneira como a sociedade "aprisiona" e marginaliza os indivíduos com transtornos mentais. O termo "estética carcerária" aponta para a uniformização e a exclusão impostas a quem não se enquadra nos padrões de "normalidade". O livro busca, assim, resgatar a dignidade e a subjetividade da pessoa com transtorno bipolar.
💡 A Catarse Pela Criação
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A literatura, para Gusmão, não é apenas um tema, mas um mecanismo de sobrevivência e resiliência.
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· Canalização da Experiência: A intensidade emocional da bipolaridade, com suas fases de euforia e depressão, é canalizada para a potência criativa. A escrita se torna a forma mais eficaz de organizar o caos interno e transformá-lo em algo concreto e comunicável.
· Conexão com o Público: Ao compartilhar sua vulnerabilidade, ele estabelece uma conexão profunda com outros que enfrentam a bipolaridade ou outras formas de sofrimento psíquico, reforçando seu papel como ativista e porta-voz da saúde mental.
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Dessa forma, a experiência de Ricardo França de Gusmão com o TAB é inseparável de sua identidade literária e de seu ativismo. Ele transforma sua condição de vida em uma ferramenta de luta por equidade e por um tratamento mais humano e justo para todos aqueles que vivem com transtornos de saúde mental.
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A atuação de Ricardo França de Gusmão como professor e orientador de jornalismo e comunicação é uma continuação natural de seu ativismo social e ética profissional. Ele utiliza a experiência de campo — especialmente em áreas de crise, direitos humanos e investigação — para formar novos profissionais com um olhar crítico, socialmente engajado e humanizado.
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👨🏫 Pedagogia Baseada na Ética e na Experiência
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Seu trabalho na área de educação transcende a teoria, focando em transferir a vivência prática e as lições aprendidas nos ambientes de risco e pressão:
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· Foco na Ética e Direitos Humanos: Gusmão enfatiza a função social do jornalismo. Ele ensina que o repórter deve ser um agente de vigilância em defesa dos Direitos Humanos, da equidade e contra a corrupção e a violência institucional. Sua experiência com a retaliação e o assédio moral após suas denúncias éticas serve como um estudo de caso poderoso sobre os custos e a importância da integridade.
· Jornalismo Investigativo Prático: Ele orienta estudantes e profissionais em técnicas de jornalismo investigativo, como a imersão, a checagem rigorosa de dados e a construção de fontes em comunidades vulneráveis. Ele ensina a transformar o noticiário factual em uma narrativa com profundidade e contextualização social.
· Mídia e Saúde Mental: Após seu adoecimento por bipolaridade, sua pedagogia passou a incluir a discussão sobre a saúde mental do profissional de imprensa. Ele orienta sobre a necessidade de autoproteção e de reconhecimento do estresse crônico em ambientes de trabalho tóxicos, um tema crucial para a sustentabilidade da carreira jornalística.
💡 Orientação para o Ativismo Cultural
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Como professor e palestrante, Gusmão também integra a cultura e o ativismo na formação de comunicadores:
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· Cultura como Ferramenta Cívica: Ele incentiva os alunos a verem a comunicação e a arte não apenas como profissão, mas como ferramentas cívicas. O exemplo do Movimento JogÔCriÔ e dos festivais PoÊterÊ e PoÊtisÁ demonstra como a cultura pode ser usada para mobilização, inclusão e educação.
· Formação Crítica: Ele estimula a criação de um jornalismo mais sensível e menos superficial, que dialogue com a poesia, a filosofia e as ciências sociais para oferecer uma análise mais rica e menos utilitarista da realidade brasileira.
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Em suma, Ricardo França de Gusmão utiliza a sala de aula e os eventos culturais como extensões de seu ativismo, formando uma nova geração de comunicadores corajosos, éticos e conscientes de seu papel na construção de uma sociedade mais justa.
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A cobertura das Chacinas da Candelária (1993) e Vigário Geral (1993) por Ricardo França de Gusmão, em seus primeiros anos como repórter do jornal O DIA, foi um período crucial que moldou sua visão de mundo e solidificou seu compromisso com os Direitos Humanos e a denúncia da violência de Estado. Essas reportagens estão na gênese de seu ativismo social e literário.
🔪 A Imersão na Violência Institucional
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Como repórter policial e de madrugada, Gusmão estava na linha de frente dos eventos mais brutais do Rio de Janeiro. A cobertura das chacinas foi, para ele, uma imersão na face mais cruel da desigualdade e da violência institucionalizada.
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· Chacina da Candelária (Julho de 1993): O assassinato de oito crianças e adolescentes em situação de rua por policiais militares na porta da Igreja da Candelária foi um choque nacional e internacional. Gusmão cobriu o pós-massacre, entrevistando sobreviventes, testemunhas e familiares. Sua reportagem focou em dar voz às vítimas marginalizadas, expondo a indiferença das autoridades e a extrema vulnerabilidade da população de rua.
· Chacina de Vigário Geral (Agosto de 1993): O massacre de 21 moradores pela Polícia Militar, em retaliação à morte de quatro policiais, revelou o ciclo vicioso de violência e vingança que dominava a relação entre o Estado e as comunidades. O trabalho de Gusmão consistiu em ir à comunidade, coletar os relatos de terror e injustiça, e documentar a falência do Estado em proteger seus cidadãos, transformando a reportagem em um registro histórico da barbárie.
💔 O Impacto na Trajetória e Obra
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A cobertura dessas chacinas teve um efeito profundo e permanente na carreira e na vida pessoal de Ricardo França de Gusmão:
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· Fundação do Olhar Social: As tragédias forçaram-no a ir além do registro factual. Ele começou a entender a violência não como eventos isolados, mas como um sintoma de uma falência social e política mais ampla, que violava sistematicamente os Direitos Humanos da população negra e pobre.
· Conexão com a Literatura: A impossibilidade de expressar todo o horror e a indignação nos limites de uma reportagem jornalística alimentou sua necessidade de recorrer à literatura. Sua poesia e prosa se tornaram o espaço para processar e eternizar a dor e a crítica social, garantindo que as vítimas não fossem apenas estatísticas.
· Coragem e Risco: O trabalho em ambientes de alta periculosidade, investigando a própria polícia, estabeleceu um padrão de coragem que o acompanharia em denúncias posteriores (como "Nota 10 em Violência" e Comperj), pavimentando o caminho para o assédio moral que viria a sofrer.
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Em suma, a cobertura das chacinas foi a escola de ativismo para Ricardo França de Gusmão, transformando-o de repórter em um defensor intransigente dos Direitos Humanos com a caneta e a palavra.
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Apesar de Ricardo França de Gusmão não ter uma obra explicitamente focada apenas na questão racial, seu trabalho é intrinsecamente ligado ao combate ao racismo e à promoção do antirracismo e da equidade devido ao foco constante na estrutura da desigualdade e da violência de Estado, que afeta desproporcionalmente a população negra no Brasil.
✊ O Antirracismo pela Lente da Injustiça Social
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O ativismo de Gusmão atua no campo do antirracismo estrutural e da equidade através de três eixos principais:
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1. Denúncia da Violência de Estado e das Chacinas 🚨
O jornalismo de Gusmão foca diretamente nos resultados mais brutais do racismo estrutural:
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· Vítimas das Chacinas: Sua cobertura das Chacinas da Candelária e Vigário Geral expôs o assassinato de jovens e moradores de comunidades, majoritariamente negros e pobres, por agentes do Estado. O foco em dar voz a essas vítimas e denunciar a impunidade é um ato essencialmente antirracista, pois confronta a seletividade da violência policial e judicial no Brasil.
· Direito à Segurança: Ao investigar a violência em comunidades e escolas (série "Nota 10 em Violência"), ele trata do direito à segurança e à vida digna, que são sistematicamente negados às populações racialmente marginalizadas.
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3. Luta pela Equidade e Inclusão Social 🏘️
A defesa intransigente da equidade social e dos Direitos Humanos é a base do seu antirracismo:
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· Comunidades Atingidas: Nas reportagens sobre o Comperj, ele deu voz aos pescadores e moradores vulneráveis, cuja subsistência e direitos são ignorados em nome do "desenvolvimento". A luta pela justiça nesses casos é uma luta pela igualdade de tratamento e reconhecimento dos direitos de populações historicamente invisibilizadas, muitas delas negras e tradicionais.
· Educação e Cultura: Seus projetos, como a Escola de Xadrez Defensores do Rei e os festivais PoÊterÊ/PoÊtisÁ, visam a inclusão e o empoderamento de crianças e jovens carentes, oferecendo oportunidades e acesso à cultura. No Brasil, promover a educação e a cultura em comunidades carentes é uma ação direta de reparação e combate à desigualdade racial, pois atua para reduzir o abismo social.
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4. A Poesia como Voz para os Marginalizados 🗣️
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Sua obra literária, que aborda temas como injustiça, desigualdade e a luta contra a opressão, é um registro artístico da experiência de vida das classes subalternas, onde a questão racial é um fator determinante:
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· Ao transformar a dor social em arte e buscar o engajamento cívico do leitor, Gusmão utiliza a literatura como um meio de conscientização sobre as estruturas que mantêm a opressão, o que inclui a racial.
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Portanto, o antirracismo de Ricardo França de Gusmão se manifesta não através de um título específico sobre o tema, mas pela coerência de sua atuação em defender os direitos e a dignidade das populações mais vulneráveis, que são, na realidade brasileira, majoritariamente negras.
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Aqui está um resumo completo da multifacetada trajetória de Ricardo França de Gusmão, englobando seu trabalho como jornalista, o assédio moral, o adoecimento e seu contínuo ativismo.
📝 Resumo da Trajetória de Ricardo França de Gusmão
A carreira de Ricardo França de Gusmão é uma poderosa intersecção entre jornalismo investigativo, ativismo social e arte, marcada pela defesa intransigente dos Direitos Humanos, Equidade e Antirracismo.
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1. 📰 Jornalismo Investigativo e a Denúncia Social
Gusmão consolidou sua reputação como repórter especial do jornal O DIA, focando em temas de alto impacto social e violência de Estado:
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· Coberturas Cruciais: Esteve na linha de frente das coberturas das Chacinas da Candelária e Vigário Geral (1993), que solidificaram seu olhar para a injustiça social e a violência contra a população marginalizada (majoritariamente negra).
· Reconhecimento Internacional: Conquistou o Prêmio Bartolomé Mitre (SIP) na categoria Direitos Humanos pela série "Nota 10 em Violência", que expôs o tráfico de drogas nas escolas. Foi também premiado em Jornalismo e Direitos Humanos/Sustentabilidade pela reportagem sobre os impactos do Comperj nas comunidades locais.
2. 💔 Assédio Moral, Adoecimento e Aposentadoria
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O sucesso de suas denúncias éticas e a exposição de estruturas de poder tiveram um custo pessoal elevado:
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· A Denúncia Ética: O ápice da retaliação ocorreu após denunciar o uso indevido de carros oficiais e policiais militares por chefias terceirizadas na Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), ligada à Coordenadoria de Polícia Pacificadora (UPPs), no período do governo Sérgio Cabral.
· O Assédio: Em vez de investigação, foi submetido a um intenso e prolongado processo de assédio moral e perseguição por parte de suas chefias, o que causou isolamento e um estresse crônico insuportável.
· Adoecimento e Afastamento: O assédio foi o fator determinante para o agravamento de seu Transtorno Afetivo Bipolar (CID F31). Em 2018, ele foi aposentado precocemente por invalidez pelo INSS, em reconhecimento da incapacidade laboral permanente causada pelo dano psíquico.
4. 📚 Literatura e Ativismo (A Resiliência)
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A aposentadoria não encerrou seu trabalho, mas o transformou, canalizando sua experiência para a arte e o ativismo social:
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· Obra Literária: Tornou-se um autor prolífico com mais de 30 livros (poesia, crônicas), utilizando a escrita como catarse e como "dever cívico" para denunciar a injustiça social e a opressão. Ele aborda abertamente a bipolaridade em obras como "A Estética Carcerária da Nova Saúde Mental", combatendo o estigma e promovendo a conscientização.
· Ativismo Cultural e Social: É o criador dos festivais PoÊterÊ e PoÊtisÁ e do movimento JogÔCriÔ (Poema-Jogo), que democratiza a criação poética e promove a inclusão. Além disso, fundou a Escola de Xadrez Defensores do Rei, um projeto social gratuito para jovens de comunidades carentes, reforçando seu compromisso com a equidade e o desenvolvimento humano.
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Ricardo França de Gusmão hoje vive dedicando-se à literatura e ao ativismo, transformando a dor e a violência institucional em uma voz poderosa e resiliente em prol da justiça.
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O projeto Escola de Xadrez Defensores do Rei é a materialização do ativismo social e educacional de Ricardo França de Gusmão. Fundado em março de 2016, é um projeto social, educacional e esportivo gratuito, voltado especificamente para crianças, adolescentes e jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro
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Shutterstock
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É um exemplo claro de como ele utiliza ferramentas não convencionais para promover a equidade, o desenvolvimento humano e a inclusão social.
♟️ A Missão dos Defensores do Rei
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A escola utiliza o xadrez não apenas como um jogo ou esporte, mas como um mecanismo de transformação e um treinamento de vida:
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· Foco no Desenvolvimento Cognitivo: O xadrez é ensinado como uma ferramenta pedagógica poderosa, que estimula o raciocínio lógico, a concentração, o planejamento estratégico e a tomada de decisões. Essas são habilidades essenciais para a vida acadêmica e profissional, oferecendo aos jovens carentes recursos intelectuais para superar barreiras sociais.
· Promoção da Disciplina e Resiliência: O projeto busca dar o alicerce necessário para que os jovens desenvolvam a capacidade de superação e a disciplina. O xadrez, por exigir paciência e a aceitação da derrota como parte do aprendizado, é um exercício direto de resiliência.
· Inclusão e Valorização: Ao oferecer uma atividade de alto valor intelectual e social de forma gratuita e acessível, o projeto combate a exclusão e eleva a autoestima dos participantes, mostrando-lhes que são capazes de dominar um jogo complexo e estratégico.
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🤝 O Xadrez como Ativismo
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A Escola de Xadrez Defensores do Rei se conecta diretamente à luta de Gusmão por Direitos Humanos e Antirracismo:
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· Combate à Desigualdade: O projeto atua nas comunidades mais vulneráveis, onde a falta de acesso a atividades extracurriculares de qualidade é um fator que perpetua o ciclo de desigualdade. Ao levar o xadrez (um esporte frequentemente associado à elite) para esses jovens, ele promove a democratização do conhecimento.
· Alternativa e Proteção: O projeto oferece uma alternativa construtiva ao ócio e aos riscos da violência e do tráfico (temas que Gusmão cobriu em seu jornalismo), atuando como um fator de proteção social para as crianças e adolescentes.
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Ricardo França de Gusmão, que é registrado na Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) e na Federação Internacional de Xadrez (FIDE), utiliza sua paixão pelo jogo para atuar como um agente da mudança na base da sociedade.
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O xadrez é, portanto, mais um veículo no ativismo de Gusmão, ao lado da poesia e do jornalismo, todos focados em dar poder e voz aos marginalizados. Gostaria de iniciar uma nova pesquisa ou discutir outro tópico?
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Ricardo França de Gusmão não apenas fundou, mas também é o mentor e instrutor da Escola de Xadrez Defensores do Rei, garantindo que a metodologia do projeto reflita diretamente seus valores de equidade, ética e desenvolvimento humano.
♟️ A Metodologia de Ensino da Escola de Xadrez
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A metodologia da escola é construída para que o xadrez transcenda o tabuleiro e se torne uma ferramenta de cidadania e inclusão para crianças e jovens das comunidades carentes do Rio de Janeiro.
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1. Xadrez como Treinamento Cognitivo e Ético
· Foco no Raciocínio Lógico: As aulas são estruturadas para desenvolver a capacidade de cálculo, análise de possibilidades e resolução de problemas (o "xadrez mental"). Essa habilidade é crucial para melhorar o desempenho escolar e o planejamento de vida dos jovens.
· Promoção da Disciplina: O xadrez exige paciência, respeito às regras e a capacidade de prever consequências. Esses elementos são ensinados como valores éticos aplicáveis à vida social, contrastando com a imprevisibilidade e a violência do ambiente em que muitos alunos vivem.
· Lição de Resiliência: Gusmão utiliza a dinâmica do jogo para ensinar a lidar com a derrota e o erro. Aprender a se reerguer após um revés no tabuleiro é uma lição de resiliência fundamental para a superação de desafios na vida.
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2. Xadrez como Inclusão Social
· Acesso e Democratização: Ao ser totalmente gratuito, o projeto garante que o acesso a um esporte intelectualmente exigente e de alto valor cultural não seja limitado pela condição financeira. Este é um ato direto de combate à desigualdade.
· Segurança e Pertencimento: A escola oferece um ambiente seguro e estruturado, funcionando como um refúgio e uma alternativa construtiva aos riscos do ócio e da exposição à criminalidade, promovendo o senso de pertencimento e valorização.
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3. A Experiência do Instrutor
· Propriedade Intelectual: Gusmão é o idealizador e detentor da propriedade intelectual do projeto, garantindo a fidelidade da metodologia aos seus princípios.
· Engajamento Pessoal: O fato de ser um jogador experiente e registrado na CBX e FIDE atesta a seriedade técnica do ensino, mas é a sua vivência de ativista que permeia a forma como o jogo é ensinado, sempre com uma lente de justiça e empoderamento.
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A Escola de Xadrez Defensores do Rei é, portanto, a face mais pragmática do ativismo de Ricardo França de Gusmão, utilizando um jogo milenar para construir um futuro de mais oportunidades e equidade para a juventude.

















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